quarta-feira, 20 de abril de 2016

Filme O Gueto

Arquivo e construção da memória

Thailine Leite
Reflexão nº 3

Os documentos de arquivo são fonte de pesquisa para a compreensão de determinado acontecimento, para a construção e preservação da memória do mesmo.  No filme Gueto há a exposição de fotos, cartas, textos, fitas, testemunhos, por exemplo, documentos os quais são significativas fontes arquivísticas que colaboram para a construção do entendimento a respeito do Holocausto, da vida judaica sob o domínio nazista.  

Cenas do Filme Gueto
Consequentemente, os documentos de arquivo exibidos no decorrer do filme colaboram para que a memória acerca do Holocausto, do acontecimento, a respeito da identidade dos povos envolvidos, tanto os judeus, quanto os nazistas, seja preservada e analisada.  Os documentos, logo, são instrumentos essenciais para a análise do conhecimento histórico, dando abertura para que o pesquisador tenha a possibilidade de aprofundamento e crítica a respeito do assunto.

No entanto, cabe ressaltar, como Lopez afirma: “Devemos ressalvar que os documentos não se resumem à análise do pesquisador; são, antes de tudo, os frutos, os meios, os testemunhos de determinadas funções e atividades desenvolvidas pelos seus produtores.” 1.  Em vista disso, os documentos encontrados e expostos no filme, dentro de seu contexto, permitem, assim, que a memória sobre o Holocausto seja preservada, além de proporcionar que o acontecimento seja analisado e reanalisado quantas vez houver necessidade.


1LOPEZ, André Porto Ancona. História e arquivo: interfaces. In: MORELLI, Ailton José (org). Introdução ao estudo da História. Maringá: EDUEM, 2005, p. 26.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Será que é falso???


E aí pessoal, vamos investigar?

A veracidade e autenticidade são características diferentes nos documentos, mas que habitualmente são confundidas. A autenticidade diz respeito aos elementos que caracterizam confiabilidade ao documento, observando a sua criação, devendo ser feita por entidade competente ao referido documento, o seu trâmite e seus sinais de validação, assim, condiz às características do documento que dão ao mesmo legitimidade para cumprir com sua função administrativa. Já a veracidade diz respeito às ideias, às questões, o conteúdo disposto no documento.


Uma problemática a respeito da falsificação de documentos que é muito corriqueira em nosso cotidiano é a facilidade de fraudar uma receita médicas. Ao observar as diferenciações entre veracidade e autenticidade, levando em conta os princípios da diplomática e tipologia, observe o documento abaixo.

Uma de nossas integrantes foi a uma consulta com o oftalmologista e recebeu uma receita oftalmológica para prescrição de lentes. Considerando o documento abaixo, analisem: ele é falso?? É verídico?? É autêntico?? Uma dica, levem em consideração os sinais de validação que uma receita oftalmológica, de fato, deve conter e não quais sinais de validação acreditamos que uma receita oftalmológica, por ser um documento de fácil identificação, deve possuir.




Locuções com Duranti


ATIVIDADE 2
De acordo com Duranti, autenticidade diplomática é a qualidade dada aos documentos que foram escritos de acordo com as práticas de tempo e lugar indicadas no texto e assinados com os nomes das pessoas competentes para cria-los.
Exemplo: Um documento produzido em uma empresa no qual se refere a compra de material, porém a sua assinatura não é do setor responsável. Esse documento é diplomaticamente inautêntico, pois a pessoa que o produziu não tinha autoridade para tal.

ATIVIDADE 4
No texto da Duranti também encontramos o que são documentos historicamente autênticos, segundo ela são aqueles que testemunham um acontecimento verdadeiro ou informam o que realmente aconteceu.
Exemplo: Um documento encontrado a respeito de uma guerra no qual narra fatos inexistentes, declara o rei derrotado como vencedor, como tentativa de manipulação da história, esse documento não tem a qualidade de autenticidade histórica, pois sua narrativa não é fiel ao ocorrido.

ATIVIDADE 5
A relação entre os três tipos de autenticidade se dá de maneira independente, onde um documento por ser diplomaticamente autentico, mas juridicamente ilegal e historicamente inautêntico, um não depende do outro para que aconteça. A autora exemplifica o caso com o ocorrido em nas épocas de intensas invasões e guerras, onde vários documentos se perdiam e assim eram perdidos os direitos e o testemunhos que eles traziam, então as pessoas faziam várias copias desses documentos, tais copias eram legalmente falsas, pois a firma e o selo eram falsos, também eram inautênticos diplomaticamente, porém eram historicamente autênticos por contarem uma história verdadeira.

Elaborando Problemáticas Arquivísticas

Dia 01 de abril, como prposta de atividade dada pelo professor André, foram dispostas dentro e fora do auditório estações com diferentes documentos, onde cada grupo ficou responsável pela a análise de uma certa estação. Nós ficamos com a estação: “3 - (fora do auditório) - Avaliar as espécies documentais, e entender em como elas em conjunto se configuram em uma só tipologia;”
Localizados fora de auditório, encontramos dispostos diferentes espécies documentais, com diferentes tipos de suporte. Ao analisar foi possível constatar que todos os documentos ali expostos eram brindes de oficinas realizadas por docentes do professor André Porto de diferentes anos com o intuito de divulgar as oficinas. Mesmo os documentos possuindo diferentes tipos de suporte, sendo de diferentes espécies, todos possuem a mesma função, no entanto, produzidos por cada grupo de uma maneira diferente. Concluímos então que todos documentos ali foram dispostos são de igual função, pertencem a uma mesma série, sendo de uma mesma tipologia.
Segundo Lopez (2005, p. 27), o documento típico de arquivo é produzido em série, por ser fruto de atividades cotidianas, relacionando-se com os demais documentos criados no exercício das mesmas funções. Assim, estes são diferentes em suas individualidades, por terem referências a informações específicas, mas seu formato e utilização são similares para seu produtor arquivístico.
Observando tais afirmações, propomos a atividade: Considerem os documentos abaixo. Sabendo que todos pertencem ao mesmo arquivo pessoal, analisem tipologicamente se os documentos se relacionam entre si, suas espécies documentais, se estes pertencem a uma mesma série documental, justificando a reflexão.
Pertence ao Acervo Pessoal Thailine Leite
Pertence ao Acervo Pessoal Thailine Leite
Pertence ao Acervo Pessoal Thailine Leite
Pertence ao Acervo Pessoal Thailine Leite
Pertence ao Acervo Pessoal Thailine Leite

Um documento para chamar de seu

Disponível em derm
Em nossa última aula, dia 08 de abril, foi proposto pelo professor André a escolha de um documento para ser analisado diplomática e tipologicamente e que, futuramente, terá desenvolvimento em nossa oficina. A bula de medicamentos é um documento legal sanitário possuidor de informações técnico-científicas e orientadoras sobre medicamentos, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por ser um instrumento de suma importância para compreensão e uso dos medicamentos, tanto para pesquisadores da área, médicos e pacientes, esta segue requisitos tipológicos e diplomáticos em sua formação.
Pensando nisso, nosso blog tem como escolha de documento para chamarmos de “nosso” a bula de medicamentos. A priori, procuraremos esquadrinhar o histórico do uso de bulas de medicamentos, seu histórico de regulamentação, quando passou a ser normatizada, seus marcos regulatórios no Brasil e suas transformações. Buscaremos compreender a relação da Anvisa com as empresas produtoras/importadoras de medicamentos ao mesmo tempo que as normatiza e as indústrias farmacêuticas como produtora arquivística do documento. A respeitos dos preceitos da diplomática e da tipologia, buscaremos explorar o trâmite, como se dá a formação do documento, as suas características extrínsecas e intrínsecas, os seus sinais de validação em sua composição, ressaltando a importância do conhecimento a respeito das bulas de medicamento para os usuários de medicamentos e os perigos da falta de conhecimento a respeito.

Em relação ao embasamento teórico e metodologia para cada apontamento citado, a respeito das normas, utilizaremos a legislação brasileira e normas da Anvisa para a composição do documento. No tocante à diplomática e a tipologia, adotaremos a tese de Rosa Maria Gonçalves Vasconcelos “Análise tipológica dos registros videográficos masteres das sessões plenárias do Senado Federal”, a qual analisa o arquivísticamente a proveniência, o contexto de produção do documento de sua tese, verificando a tramitação, o desenvolvimento diplomático e tipológico do documento, a disposição de suas informações e sua materialidade e esquematizando o fluxo da informação documental e utilizaremos outros autores detentores do conhecimento a respeito das práticas em relação aos documentos contemporâneos, como Luciana Duranti.


Teremos como objetivo a análise a trajetória da formulação das bulas de medicamentos e importância das mesmas através da análise diplomática e tipológica dos documentos, observando o seu histórico e sua normatização no Brasil, seus sinais de validação e dificuldades antes da obrigatoriedade da mesma. Observaremos o contexto de produção das bulas dentro da indústria farmacêutica e como se dá o relacionamento com a Anvisa, utilizando como metodologia os autores supracitados.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Filme O Gueto

Thailine Leite
Reflexão nº 2
Cena de O Gueto
Segundo Luciana Duranti (1994 p. 334), a imparcialidade é uma das características que compõem um documento de arquivo, e são essencialmente verídicos por serem necessários à certa atividade, tornando-se um espelho imparcial do contexto envolvido, seja este qual for. É interessante ressaltar que a imparcialidade referida diz respeito ao documento em si, não a sua forma de produção, atividade a que se refere e como são utilizados.

Um documento que contém informações falsas ou verídicas sobre uma atividade será testemunha da mesma atividade, seja de falsificação ou do relato verídico. Em O Gueto a produção documental das filmagens, dos documentos produzidos pelos oficiais na época do Nazismo a fim de retratar o local e o modo de vida dos judeus, revelam um produtor arquivístico parcial, com o objetivo de maquiar o que de fato acontecia no local, a miséria e sofrimento dos judeus pobres. No entanto, estes documentos, em observância ao seu contexto orgânico de produção, retratam função inversa, sendo testemunhas de um objetivo de acobertamento da realidade.


sexta-feira, 8 de abril de 2016

Qual é a espécie?

Na última aula de Diplomática e Tipologia Documental (1° de abril de 2016), foi apresentado a nós, pelo professor André Porto, diferentes tipos de documentos. Averiguamos e debatemos a respeito da análise diplomática e tipológica desses, da espécie documental e suas dificuldades, por ser uma área que carece de pesquisas que envolvam os diferentes documentos da atualidade. Abaixo seguem os documentos analisados na aula: 

I) Cartão postal publicitário

Acervo pessoal André Porto
Acervo pessoal André Porto




Espécie: Cartão postal publicitário
Forma: Original múltiplo
Formato: Cartão postal publicitário
Gênero: Textual e imagético
Suporte: Papel
Sinais de validação: Símbolo da Editora e logotipo dos parceiros.







Observação: Se for considerada as fotografias postadas no blog mãe como de fato o documento, assim como qualquer fotografia desse post, as quais foram tiradas em sala de aula do acervo do professor André Porto, a Forma será cópia e seu Suporte será digital.



II) Marcadores de página publicitário

Acervo pessoal André Porto







Espécie: Marcador de página publicitário
Forma: original múltiplo (no caso do postado no blog, cópia)
Formato: Marcador de página
Gênero:Textual e imagético
Suporte: Papel
Sinais de validação: Símbolo da Editora












III)  Convite flyer publicitário


Acervo pessoal André Porto
Acervo pessoal André Porto


Espécie: Convite flyer publicitário
Forma: original
Formato: Convite flyer
Gênero: Textual, com letras em diferentes disposições de layout.
Suporte: Plástico
Sinais de validação: Logotipo da galeria




IV) Carteirinha de Identificação de escoteiro


Acervo pessoal André Porto
Acervo pessoal André Porto



Espécie: Carteirinha de Identificação de Escoteiro
Forma: original (no caso do postado no blog, cópia)
Formato: Carteirinha de identificação
Gênero: Textual e imagético
Suporte: Plástico
Sinais de validação: Logotipo da União dos Escoteiros e assinatura do Diretor Presidente.



1-  É o mesmo documento ou ele difere em cada situação?
O contexto é indispensável para se compreender cada documento. No caso dos marcadores de página publicitário, o segundo, da esquerda para a direita, se difere nesse contexto dos demais, por haver participação do professor André Porto na composição do marcador de página publicitário. Sobre o Cartão postal publicitário e o convite flyer publicitário, nesse contexto há diferença por terem relação com o fundo arquivístico do Professor André e serem do acervo pessoal do professor. Já os demais marcadores de página publicitários e as carteirinhas, nesse contexto, são material de apoio para composição das aulas do professor, não sendo documento arquivístico para o mesmo.

2 - Qual é o produtor do documento em cada contexto? Qual seu valor arquivístico?
No caso do cartão postal publicitário, o professor André Porto será seu produtor arquivístico, pois pertence ao fundo pessoal do professor por ele ser um dos autores do livro divulgado no cartão postal publicitário. Assim como no caso do marcador de página publicitário em que o há a participação do professor André, fazendo também parte do fundo arquivístico pessoal do professor, possuindo estes, nesse caso, valor de prova pessoal para o mesmo. Nos demais, por serem material de apoio e não fazendo parte do arquivo pessoal do mesmo, nesse contexto, não possuem valor arquivístico.

3 - Qual seria sua série documental?
Para os documentos de arquivo, a função entre estes é a mesma, publicitária de divulgação.



Arquivo e mudança histórica

I) O blog Futebol na Gaveta participou da atividade "Desafio Diplomático", do dia 23 de outubro de 2010realizando a análise de um documento (à direita) usado como prova no "Escândalo do Mensalinho" a respeito do envolvimento do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti.
A análise do blog explica como a  autenticidade e a veracidade -a falta dela, no caso- do documento fizeram com  que ele se tornasse parte importante da  investigação. Foi realizada também a análise do vídeo produzido pela TV Câmara, levando em conta que o mesmo é um documento.

II) Vinho é Saúde! O vinho é uma das bebidas mais antigas do mundo. Quando ingerido moderadamente, de fato, traz muitos benefícios à saúde. Mas.. e o que vinho tem a ver com nosso assunto sobre Diplomática?? Vamos explicar.
Em 2014, aconteceu o maior caso de falsificação da história do vinho! Isso mesmo. O Indonésio Rudy Kurniawan foi condenado a 10 anos de prisão pela Corte Federal de Nova York, pela produção e venda de vinhos falsificados. Amante dos grandes vinhos, ótimo degustador e estudioso sobre o assunto, Rudy Kurniawan, se tornou um crítico especializado em Borgonha Allen Meadows (Burghound), e o CEO da casa de leilões Acker, Merrall & Condit, John Kapon. Assim, decidiu “investir” na carreira de produção e venda de vinhos. O auge da sua carreira aconteceu em 2006 quando movimentou o maior valor já visto em um leilão de vinhos: mais de US$ 24 milhões.
Em 2008 Laurent Ponsot, dono de vinícula com o mesmo nome, foi alertado de que garrafas muito antigas de sua atribuição estariam em um leilão. Mas havia sérios erros: Clos Saint-Denis entre os anos 1945 e 1971 (o vinho só começou a ser engarrafado em 1985) e Clos de la Roche 1929 (produzido a partir de 1934). Ponsot foi atrás de satisfações e recebeu de Kurniawan supostos nomes de donos antigos das garrafas, no entanto os números eram de uma empresa aérea e shopping. E aí a carreira de Kurniawan começou a afundar.
Ponsot uniu-se ao FBI, com o departamento especializado em crimes relacionados a objetos de arte, em busca do falsificador. Foi determinada a prisão preventiva de Kurniawan e em sua casa foram encontradas diversas provas, como rótulos impressos, cápsulas de chumbo, cera e centenas de rolhas, garrafas e fórmulas anotadas para reproduzir rótulos renomados.


Garrafas vendidas por Rudy Kurniiawan,
 e apresentadas como evidência e seu julgamento.
Disponível em Estadão
Mas as principais testemunhas do julgamento foram.. quem? Não, não foram pessoas, mas, sim, garrafas, os três maiores nomes da Borgonha, falsificados por Kurniawan. As garrafas foram apresentadas como documentos de prova e analisadas através da diplomática ao serem utilizadas para evidenciar as falsificações através dos sinais de validação, seus rótulos, datas que supostamente foram criadas e a procedência de cada, onde vemos claramente o caráter decisivo da diplomática e dos documentos apresentados para o desfecho do caso.

Parece coisa cinematográfica! 
Aos apreciadores de vinho, tim tim.

Disponível em Veja

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dia Mundial da Saúde

Hey, pessoas lindas!

Hoje, 07 de abril, é o dia mundial da Saúde! Nosso blog deixa um recadinho a vocês: Não deixe de cuidar de sua saúde, a vida é bem melhor com ela!
07 de Abril, dia Mundial da Saúde. Disponível em: cnews


Filme O Gueto – Reflexão Diplomática

Reflexão nº1
Thailine Leite




O filme Gueto ou Um Filme Inacabado, de Yael Hersonski, expõe filmagens incompletas encontradas de 1942, retratando cenas de judeus encenando uma vida de luxo e regalias no Gueto de Varsóvia. O material pertencia à propagandas nazistas da época, na busca de expor uma versão da vida dos judeus no Holocausto.

Para aprofundar a respeito dos acontecimentos reais, o filme revela análise diplomática ao buscar observar as características que estão além da materialidade dos documentos, pois investiga as informações contidas nas filmagens encenadas, nos documentos que se tem da época, como relatórios e diários, e vão em busca de  depoimentos de opressores e de vítimas, as quais, como mostrado no próprio filme, assistem às filmagens e relatam sobre elas, sobre como de fato foi, revelando em seus olhares e expressão o que carregam de dor sobre os acontecimentos. Como observado em sala, na última aula, é de suma importância a recuperação do contexto em que os documentos de arquivo foram produzidos, recebidos e acumulados para se ter uma compreensão dos mesmos e da realidade em que estão inseridos. O filme manifesta essa investigação ao buscar conferir, verificar os fatos que envolvem e que cercam os documentos, o contexto dos documentos encontrados, dos que já se possuíam e dos relatos das pessoas que testemunharam os acontecimentos.